Segundo a coreógrafa portuguesa Inês Zinho, o cuidado e a atenção que dedicamos ao mundo estão em vias de extinção. A atenção às coisas, às paisagens, aos animais e às pessoas que nos rodeiam parece estar a desaparecer.
Neste Dia Aberto ao Planeta, a Casa Novo Bowing propõe uma tarde dedicada às pequenas coisas, aos gestos delicados e às diferentes maneiras de cuidar daquilo que nos rodeia.
Há contos para ouvir devagar, uma marioneta de barro e mãos que perde acidentalmente o seu ego e a sua altivez, uma orquestra onde cada som nasce da escuta dos outros e poemas construídos a muitas vozes. O teatro, a música e a poesia tornam-se formas de descobrir aquilo que tantas vezes passa despercebido.
A atenção também se pratica à mesa. Pequenos rituais de cozinha levam à preparação de uma sopa comum, enquanto os sabores da Índia chegam através do rôti, um pão preparado e partilhado ao longo da tarde. Há ainda um encontro com a tradição sikh, para conhecer a história, o significado e os gestos quotidianos de colocação do turbante.
Um dia para descobrir que cuidar começa, muitas vezes, por prestar atenção.
/Com Albina Petrolati, Anna Bunikevych, Lucia Costa, Rita Moreira, Kali Fawaz, Sandra Sanches, Maria Almada, Celestino Ribeiro e Maria José
A Casa Novo Bowing - Centro para as Relações Planetárias é um espaço de abrigo, criação e encontro, aberto a todas as pessoas. Criada no âmbito do projecto Novo Bowing, está sediada em Odemira, no antigo Centro de Estudantes, e acolhe actividades artísticas que promovem o diálogo entre culturas e a imaginação de novas formas de viver juntos.
BILHETES
Entrada livre
Programa detalhado:
15H00 - 18H00
PEQUENOS CONTOS PARA ESTAR ATENTO
com Silvia Laureano · Livraria Mirabolante
Há histórias que nos fazem parar e olhar com mais atenção para o mundo que nos rodeia. Histórias que nos levam a reparar nas pequenas coisas, nos gestos que passam despercebidos e naquilo que tantas vezes esquecemos de observar.
A Livraria Mirabolante apresenta pequenos contos sobre o cuidado e a atenção. Através das palavras e da imaginação, descobrimos outras maneiras de olhar para os outros, para a natureza e para tudo aquilo que partilhamos.
16H00 · 16H40 · 17H20
Teatro de Objectos
AI DE MIM, AI DOEU…
com Sandra Neves · Trupe Fandanga
Uma marioneta efémera, feita de barro e mãos, vê-se acidentalmente despojada do seu ego e da sua altivez.
A partir de materiais simples e pequenos gestos, a Trupe Fandanga constrói um universo onde os objectos ganham vida e aquilo que parece insignificante se torna protagonista. Um espectáculo em que uma pequena transformação pode mudar tudo.
INSCRIÇÕES GRATUITAS
info@novobowing.pt
e/ou 912 885 896
17H40
Teatro de Objectos
AI DE MIM, AI DOEU…
OFICINA DE TEATRO DE OBJECTOS
com Trupe Fandanga
O que acontece quando olhamos para um objecto comum como se o víssemos pela primeira vez? Que histórias pode contar aquilo que habitualmente passa despercebido?
Nesta oficina, a atenção volta-se para as coisas aparentemente insignificantes. Através da imaginação e do teatro, os objectos do quotidiano ganham novos sentidos e revelam possibilidades inesperadas.
16H00 · 16H30 · 17H00 · 17H30
ORQUESTRA PEQUENÍSSIMA
com Alexandre Caetano
Uma orquestra começa por um som. Depois chega outro, que escuta o primeiro, e mais outro, que responde ao que acabou de ouvir. Aos poucos, nasce uma composição feita de pequenas atenções partilhadas.
Nesta Orquestra Pequeníssima, o importante não é apenas produzir sons, mas perceber o que os outros estão a fazer. Cada som encontra o seu lugar a partir dos restantes, numa experiência colectiva em que ouvir é tão importante como tocar. Um colar de atenções acústicas que se vai desfiando tarde adentro.
16H00 · 16H30 · 17H00 · 17H30
POESIAS SONORAS TRANSCULTURAIS
com Tiago Schwabl
E se, por um dia, todos pudéssemos ser poetas sonoros? E se as palavras pudessem ser recortadas, misturadas, transformadas e ganhar novas vozes?
Ler, recortar, colar, juntar e construir um poema feito de palavras e sons. Nesta experiência colectiva, diferentes vozes encontram-se e contribuem para uma criação comum.
Porque fazer poesia sonora também é aprender a escutar as palavras, os silêncios e aquilo que os outros têm para dizer.
16H00 · 16H30 · 17H00 · 17H30
CULTIVAR O COMUM
com Francisca Paiva
Uma sopa pode começar com um pequeno gesto. Escolher um ingrediente, prepará-lo com cuidado, juntá-lo aos restantes e esperar que todos os sabores se encontrem.
Pequenos rituais de cozinha conduzem à preparação de uma sopa colectiva. Cada pessoa contribui para aquilo que, no final, será de todos. Um exercício de atenção aos alimentos, aos gestos e às pessoas com quem partilhamos a tarefa de cozinhar.
Porque cuidar do comum também pode começar numa cozinha, à volta de uma panela.
16H00 – 18H00
RÔTI RÔTI
com Rupa Rani e Simi Kaur
Preparar um pão pode ser também uma maneira de conhecer uma cultura, os seus gestos e os sabores que atravessam gerações.
Rupa Rani e Simi Kaur mostram como se prepara o rôti, um pão tradicional da Índia. Cada pessoa poderá experimentar a sua preparação e prová-lo depois, acompanhado de diferentes molhos.
Entre a preparação e a degustação, a cozinha torna-se um lugar de aprendizagem e partilha.
18H00
TURBANTES SIKH
com Dilbagh Singh Siddhu, Satwant Singh, Manjit Singh, Palwinder Singh, Inderjeet Singh, Ramandeep Singh e Gurjot Singh
Um turbante é muito mais do que uma peça de tecido. Na tradição religiosa sikh, originária do Punjab, na Índia, é uma expressão de identidade, fé e pertença.
Mas como se coloca um turbante? Que significado tem? Porque continua a fazer parte da vida quotidiana de tantas pessoas?
Sete homens da comunidade sikh partilham a história e o significado dos seus turbantes, mostrando como os colocam todos os dias e explicando as razões pelas quais continuam a usá-los. Um encontro que nos aproxima desta tradição através dos gestos e das histórias de quem a vive.